Palestra gratuita

A verdadeira prudência e o professor católico

À luz da parábola das dez virgens (Mt 25), esta reflexão apresenta a prudência como a virtude que ordena a razão prática para fazer o que é certo — e mostra por que a vida de oração é o azeite indispensável ao professor católico.

Na parábola das dez virgens, relatada em São Mateus 25, o Senhor nos oferece uma das imagens mais penetrantes sobre a vida cristã e sobre a responsabilidade daquele que foi chamado a servir. Cinco virgens são chamadas prudentes e cinco insensatas. A diferença entre elas não estava na dignidade da vocação — todas foram escolhidas pelo noivo — mas em algo aparentemente pequeno: umas levaram azeite para as suas lâmpadas, outras não. Este detalhe, contudo, decidiu a eternidade de cada uma.

A lâmpada, o azeite e a alma

A lâmpada pode ser compreendida como a nossa alma racional, capaz de agir, decidir e viver a própria vida. Quando o Evangelho diz que as virgens "tomando suas lâmpadas saíram ao encontro do noivo", indica almas que já possuem o uso da razão e são responsáveis por suas escolhas.

O azeite, segundo a tradição — e Hugo de São Vítor o afirma com clareza —, representa a caridade, a principal virtude teologal, e com ela a vida de oração. Uma lâmpada sem azeite é como uma alma sem amor, uma alma sem oração. Por mais que a lâmpada exista e esteja pronta, sem combustível ela não produz luz alguma.

Todas as nossas almas devem estar voltadas para Jesus, o Noivo. Mas de nada serve a lâmpada se faltar o azeite que a alimenta.

O que é a verdadeira prudência

Segundo Santo Tomás de Aquino, a prudência é uma virtude que tem por sujeito a razão prática. Enquanto a razão teórica busca conhecer a verdade das coisas — e nela se dá a fé —, a razão prática se ocupa daquilo que devemos fazer. A prudência é precisamente a virtude pela qual tomamos as decisões certas sobre o que fazer.

O homem prudente sabe o que deve fazer agora, daqui a pouco, dentro de alguns anos e no fim de sua vida. Talvez seja esta hoje a virtude mais escassa: a maioria das pessoas vive sem saber o que deve fazer e acaba fazendo apenas aquilo que as circunstâncias impõem.

Decisões fundamentais e decisões particulares

A prudência abrange dois planos. Há as decisões fundamentais, que determinam o rumo da existência — a vocação, o estado de vida, a missão que Deus nos confia — e há as decisões particulares, os atos concretos do dia a dia. O verdadeiro prudente acerta em ambos os planos, porque toma suas decisões conforme a realidade, e não conforme os próprios gostos.

Aqui está um ponto decisivo: a prudência não diz respeito ao que gostaríamos de fazer, mas ao que a realidade e a vontade de Deus nos pedem. Alguém pode sonhar com uma vida diferente daquela para a qual foi chamado; a decisão prudente é abraçar o que Deus quer, não o que a inclinação natural sugere.

As três condições da prudência

Santo Tomás e a obra A Educação segundo a Filosofia Perene apontam três condições necessárias para que exista a verdadeira prudência:

  • Doutrina: é preciso conhecer a doutrina da Igreja e a doutrina moral — saber o que é certo e o que é errado, o que é justo e o que não é.
  • Experiência: quem não tem experiência própria deve apoiar-se em quem a tem. É por isso que os mais jovens precisam de conselho: eles acham que sabem o que devem fazer, mas frequentemente ainda não sabem. A experiência, muitas vezes conquistada por meio de erros, torna o conselho valioso.
  • Todas as virtudes: sem elas, tomamos a decisão que o vício determina, e não a que a razão dita.

Por que as virtudes são indispensáveis

Quem é covarde não decide segundo a verdade, mas segundo o medo — deixa de falar quando deveria falar, deixa de ousar quando deveria ousar. Quem é intemperante torna-se refém do prazer: tem ao seu lado o bom livro e o celular, e escolhe o celular não porque deva, mas porque não é ele quem manda, e sim o vício. Quem se deixa dominar pela ira responde com aspereza quando a caridade pediria calma.

O prudente mantém a decisão em suas próprias mãos. Quem não tem virtudes decide sob o comando daquilo que o domina.

A raiz da imprudência: viver sem Deus

As virgens insensatas são figura daquele que opta por não rezar, que julga poder cumprir sua missão sem antes abastecer a alma. "Depois eu rezo; agora tenho coisas mais urgentes a fazer." Esta é a imprudência fundamental — supor que não precisaremos do azeite.

É a herança de Adão em todos os seus filhos: a ilusão de que se pode viver a vida sem Deus. Um professor pode ensinar com excelência, dominar todo o Trivium, formar bem as crianças e, ainda assim, ficar do lado de fora da porta, se esqueceu de levar o azeite. As dez virgens haviam sido escolhidas; a diferença entre a alegria das núpcias e o terrível "não vos conheço" foi apenas o combustível da alma.

O perigo do ativismo

Há um risco especial para os temperamentos ativos, que tendem a supor que tudo depende deles e que, se não fizerem, nada acontecerá. Correm, esgotam-se e, no meio da agitação, esquecem-se do azeite. A obra A Alma de Todo Apostolado, de Dom Chautard, é um remédio precioso contra essa tentação.

São Bernardo, lembra o autor, foi ao mesmo tempo o homem mais contemplativo e o mais ativo de seu século — mas primeiro rezava, e daí extraía forças para agir. Comentando o Cântico dos Cânticos, distinguiu o coração e o braço:

O coração é indicado em primeiro lugar porque é órgão mais nobre e necessário que o braço. Da mesma forma, a contemplação é mais excelente e perfeita, e merece muito mais estima que a ação.

O braço pode descansar por intervalos; o coração, não. Se ele para, sobrevém a morte. Assim é a vida de oração: podemos dar tréguas aos trabalhos exteriores, mas nunca afrouxar na aplicação às coisas espirituais. É o coração que envia o sangue ao braço; é a oração que dá vida, sentido sobrenatural e real utilidade a toda a nossa ação.

Comprar o azeite: dar tempo a Deus

As virgens prudentes disseram às insensatas que fossem comprar o azeite de quem o vende. Comprar, aqui, significa dar o próprio tempo a Deus, para que Ele encha a lâmpada. O azeite é dom: não o produzimos por esforço próprio, nem por perfeccionismo espiritual.

Diante do Santíssimo, diante do Sagrado Coração, diante de Nossa Senhora, a atitude não é fazer muito, mas deixar que Deus faça. Quem quer determinar o modo, o tom e a postura da própria oração recai no ativismo e no espírito farisaico. A pessoa simples se esbalda na intimidade com o Pai, entrega-se e permite que Ele derrame o amor em sua alma.

Diante de Jesus, saia de cena e deixe que Ele faça o Seu trabalho. Ele sabe fazê-lo.

A alegria como termômetro da oração

Quem reza de verdade, no segredo do coração, como ensina São Mateus no capítulo 6, não vive na tristeza nem no pessimismo. A falta de oração produz, entre seus primeiros frutos, o pessimismo — sempre se enxerga o cabelo na sopa, sempre se julga que "não era para ser assim".

O prudente, ao contrário, diante de um problema pergunta apenas: o que devo fazer para resolvê-lo? O que nele é culpa minha e preciso mudar? Ele sabe que a roda da fortuna, como diz Boécio, gira sempre, e que o essencial não está nas coisas fortuitas, mas na fidelidade a Deus. Por isso, mesmo em meio às dificuldades, pode dizer com verdade que está tudo bem — porque, enquanto há vida, há tempo de encher a lâmpada.

A alegria não é o riso fácil, mas o fruto do amor que nasce da oração. É o termômetro seguro da vida espiritual.

Deus nos quer racionais

Podemos concluir com uma verdade que ilumina toda esta meditação: Deus nos quer racionais; o demônio nos quer irracionais. Como a prudência é virtude da razão, o inimigo trabalha para nos afastar dela por meio do pecado e do vício, que embotam a inteligência e nos tornam incapazes de discernir o que devemos fazer. Quanto mais pecado, mais imprudência; e quanto mais imprudência, menos oração.

Para o professor católico, chamado a formar almas, a lição é clara e urgente. Antes de qualquer plano, técnica ou esforço apostólico, a decisão verdadeiramente prudente é uma só: rezar, colocar a vida de oração como prioridade absoluta e ir, sem demora, ao lugar onde se vende o azeite — a Sagrada Escritura, o sacrário, a Santa Missa. A loja ainda está aberta. Não esperemos a hora da confusão e da morte para começar a abastecer a lâmpada, pois não sabemos o dia nem a hora.

Gostou? Veja mais formações para professores católicos.